quarta-feira, 2 de abril de 2014

02/04

Só ontem voltei a minha realidade, percebi o que está rolando.
Alguns parentes do meu namorado vieram jantar aqui, e minha sogra assou pizza e fez bolo salgado. Eu cumprimentei todos, pedi licença e fui para o quarto fazer qualquer coisa que não pensar em comida. Até que minha sogra pediu com toda a falta de tato que "eu parasse com essa idiotice e fosse comer com todo mundo na mesa, como uma família" É mole? Eu não sou da família, não moro aqui e vou embora daqui alguns dias! 
Engoli tudo isso, sentei na mesa e ouvi pacientemente todas as abobrinhas que eles tinham pra falar. Me empurraram tudo que tinha ali, e o que não tinha também. Metade foi pro chão, pra boca dos cachorros. Infelizmente, a outra metade veio pra minha boca.
Aguentei tudo como uma pessoal civilizada e normal, aceitei todos os copos de suco, todos os pratos, todos os olhares raivosos para os meus braços/barriga/rosto que estão visivelmente mais fracos/menores.

Chorei no banheiro até meu namorado chegar. Não miei. Tomei banho e não olhei diretamente nos olhos de ninguém pra não chamar atenção, e fui dormir. Toda aquela comida se revirando dentro de mim, se transformando em bolos de gordura nojenta, me fazendo regredir, me tornando uma fracassada!

Foi ruim, realmente ruim. Mas passou. Acordei desmotivada, mas sem fome.

E sobre o começo do texto, eu nem ia contar sobre o ocorrido de ontem, e sim que estou voltando a despedaçar. Meus ossos doem muito, meus dentes estão fracos e moles, como se fossem cair a qualquer momento, minha pele está amarelada e meu cabelo parece papel. O preço que se paga é alto demais, acreditem. É por isso que eu fico tão indignada quando vejo essas gurias novinhas querendo se jogar na anorexia. Não é apenas sobre emagrecer, é mais, muito mais. Como se naquele primeiro dia em que você pensa "eu não vou comer hoje, e talvez nem amanhã", como se aquela primeira dor no estômago fosse como um tiro na sua nuca, e ali mesmo você morre, e o restante dos dias são recheados de pedaços do seu cadáver andando pela casa, tentando não engordar, tentando não se odiar ainda mais. Como se todas nós não passássemos de sacos de ossos e raiva. Já alcançamos nosso objetivo, não somos nada além de um corpo oco.

Isso soa mais frustrante do que deveria.
Só queria descansar com meu oco em paz.
Quero minha casa.


2 comentários:

Alie disse...

Eu me pergunto qual seria a reação dessas pessoas se elas soubessem o sofrimento psicológico e as consequencias que provocam. Ou será que sabem e não ligam e abusam do poder("se vc está na minha casa, faça tudo que eu mandar")?. De qualquer forma, a gente tem que se impor pra evitar passar pelo que você passou. Delicadamente, de preferência, pra evitar a fadiga :P. Seu namorado poderia te ajudar, quem sabe?

Gostei da música (:

Quanto ao pessoal "ana minha best friend", eu me sinto bem dividida. O sofrimento com a gordura é tão grande, a ponto de uma pessoa não se importar com mais nada, e ter apenas um desejo: ser magra. Nesse ponto rola uma empatia, compaixão, pena sei lá. Sabe-se lá o background dessa pessoa, suas razões, se a pessoa já não se odeia... e acredito na capacidade individual de fazer escolhas, mesmo que essa escolha seja virar masoquista.
Quando a pessoa faz uma escolha de emagrecer eu apoio, eu entendo como é horrivel não se identificar com seu corpo atual. E compartilho da admiração dos corpos esquálidos.
Me tranquilizo que a maioria nem aguenta fazer dieta(afinal ninguem ficou gordo do nada). E que uma pessoa mentalmente sã não vai atrás de "dicas ana", de forma que "site pro ana" não "corrompe" ninguém. É só gente maluca se expressando. E expressão é um direito que eu gosto muito.

Sempre acreditei que chegar em 40kg e nao conseguir parar em pé não adianta nada. Mas tem gente que acha que tá bom assim "morrer magra". Me sinto mal em julgar essas pessoas. E quando a pessoa não tá parando em pé e tá achando isso bem ruim, eu também apoio a recuperação da saúde através de uma dieta adequada. E buscar apoio psicológico pra ver se rola uma auto aceitação(caso tenha uma meta de kg incompativel com a vida), tirar algum trauma psicologico, sei la.

Já parou pra pensar o que voce quer? Emagrecer? Dieta. Não desejar emagrecer? Terapia.

Anita Perfeita disse...

Oi!

Eu não tenho sogra pq a minha já morreu!
Mas eu acredito que ela foi grossa com vc,ela poderia pedir para vc vir para a mesa com mais educação!
Será que ela esqueceu que vc não é filha dela?
Pode ser que já te considere uma filha,e apesar de ter te empurrado comida,isso é coisa de mãe,é um jeito torto de cuidar,tenta compreender,toda mãe quer ver o filho bem nutrido,não é verdade?
E certamente ela pensa que está te fazendo um bem, ela não quer que vc passe fome debaixo do teto dela!
Sobre a culpa que se sente com um transtorno alimentar,só quem vive na pele essa desgraça sabe do que realmente se trata!
E não é "idiotice",não é "frescura", não é "moda",é uma DOENÇA.

E se vc concluiu que já está morta-viva e vazia,porque não procura ajuda?
Um psicólogo ou uma terapia?
Saiba que T.As são reversíveis com ajuda profissional, vc não precisa morrer com isso!

Beijos ;)

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